Getúlio Vargas por Santayana e Samuel Pinheiro e algumas fotos sobre a morte de Vargas

Campanha de Getúlio Vargas para as eleições presidenciais de 1950 no estado do Rio de Janeiro, entre 9 ago e 30 set 1950.
Campanha de Getúlio Vargas para as eleições presidenciais de 1950 no estado do Rio de Janeiro, entre 9 ago e 30 set 1950.

“58 anos sem Getúlio Vargas” foi o tema do programa Contracorrente, da TV Cidade Livre de Brasília, no qual o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães , ex-Ministro de Assuntos Estratégicos do Governo Lula e o Jornalista Mauro Santayanna refletiram sobre o papel histórico do mandatário que nos deixou num dia  24 de agosto.

Para Samuel Pinheiro Guimarães uma das provas de que houve permanentemente uma preocupação dos setores dominantes em desconstruir a imagem da popularidade de Vargas é a rara divulgação das fotos sobre a gigantesca marcha de milhões de brasileiros no Rio de Janeiro que levou o corpo do ex-mandatário do Palácio do Catete até o aeroporto Santos Dumont.

“Houve sempre uma conspiração dos segmentos oligárquicos da sociedade, entre eles os da mídia, para que fosse totalmente apagada e adulterada a imagem real de Vargas como um presidente apoiado fortemente pelas massas populares”declarou.

Santayanna,  que estava presente nesta  imensa manifestação relatou que os militares ligados à Aeronautica,  maior protagonista operativo da conspiração para derrubar Vargas,  atiraram diversas vezes contra a multidão para intimidá-la.

“Primeiro, eram tiros de festim, depois balas de verdade. Lembro que um trabalhador negro que caminhava ao meu lado, com a capa do jornal Última Hora no peito, levou um tiro e morreu na hora. Apesar disso, a marcha continuou, e o corpo  de Vargas  foi levado até o aeroporto para ser embarcado para São Borja” disse.

Milhões de brasileiros no cortejo fúnebre do corpo de Getúlio Vargas

Santayanna também revelou ao Programa Contracorrente que, no dia 12 de agosto, portanto 12 dias antes da morte de Vargas, o presidente foi a Belo Horizonte para inaugurar as instalações da Manesmann, oportunidade em que Juscelino Kubstchek,  então governador mineiro, e  Tancredo Neves, então Ministro da Justiça, tentaram propor a Getúlio uma manobra de resistência ao golpe de direita que já estava em marcha.

“JK e Tancredo propuseram a Vargas transferir a  capital para Belo Horizonte e a partir dali organizar uma resistência livre da pressão da República do Galeão, onde a Aeronáutica comandava articulações para exigir a deposição do presidente. JK  me confidenciou ter sentido Vargas já meio resignado e, aos 71 anos de idade,   sem disposição para uma luta de resistência”  relatou.

Certidão de óbito de Getulio Vargas emitida em 2 de fevereiro de 1965.  (CPDOC/GV rem.s. 1899.02.01) Obs de JuRicardo - certidão emitida em 1965? Não entendi...bem o site é da FGV...
Certidão de óbito de Getulio Vargas emitida em 2 de fevereiro de 1965. 
Adeus Getúlio
Jornal da época anunciando a Morte de Getúlio Vargas 
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10 Curiosidades sobre Getúlio e o Estado Novo

1. Getúlio tinha 1,60 metro e detestava sua altura — por isso, os fotógrafos oficiais eram obrigados a usar um truque para tentar mostrá-lo maior do que era.

2. Antes de chegar à presidência, ele foi ministro da Fazenda de Washington Luís, presidente que o depôs e o mandou para o exílio.

3. Em 1934, circulava em Belo Horizonte a “Revista de Minas”. Quando chegou a notícia de que Getúlio havia escolhido Virgílio de Melo Franco para governador, os editores fizeram a seguinte chamada de capa: “Virgílio, o governador”. Na manhã da circulação, veio o desmentido. O indicado, na verdade, fora Benedito Valadares. A “Revista de Minas” não podia mais mudar a capa. Fizeram um carimbo enorme, na medida da manchete, e chancelaram embaixo: “do coração dos mineiros”.

4. Em 1936, Getúlio entregou a alemã Olga Benário, mulher do líder comunista Luís Carlos Prestes, ao governo de Hitler. Judia e comunista, Olga morreu na câmara de gás de um campo de concentração, em 1942.

5. O presidente era chamado de Pai dos Pobres.

6. Durante o Estado Novo, Vargas determinou que as repartições públicas tivessem um retrato do Presidente da República na parede. Em 1945, Getúlio Vargas foi deposto e suas fotos foram retiradas. Reeleito em 1950, os retratos voltaram. Isso inspirou uma música de muito sucesso, feita em 1951. “Retrato do velho”, de Haroldo Lobo e Marino Pinto, foi interpretada por Francisco Alves. Getúlio detestou ser chamado de velho. Conheça a letra: 

Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar
O sorriso do velhinho
Faz a gente trabalhar, oi! 

Eu já botei o meu
E tu não vais botar? 
Já enfeitei o meu
E tu vais enfeitar? 

O sorriso do velhinho
Faz a gente se animar, oi!

7. Em 1953, Getúlio foi convidado para a cerimônia de coroação da rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Como presente, ele lhe entregou um colar e um par de brincos. O colar pesava 300 gramas, com 10 águas-marinhas de 120 quilates e 647 brilhantes.

8. Getúlio sofria de artrite.

9. Ele gostava de jogar golfe na companhia de amigos. Para isso, dispunha de tacos fabricados na Inglaterra e todas as bolas tinham impresso em vermelho o seu nome.

10. Getúlio se considerava “pouco supersticioso”. Ele dizia ter simpatia apenas pelo número 13.

Dados baseados em Curioso

Futebol e Política na Era Vargas

A maioria das pessoas concordam com a seguinte afirmação: o futebol é uma das principais caraterísticas culturais do Brasil. Mas talvez as pessoas não saibam que muitos governos na história do Brasil colaboraram para consolidar a percepção. Um dos primeiros foi Getúlio Vargas (1882-1954). O jogo, que começava a se popularizar, passou a ser usado como instrumento de propaganda e controle ideológico, de forma semelhante ao que ocorria na Itália fascista. As pessoas possuem uma visão de que o jogo só serve para um meio de entretenimento, e não param para pensar de que ele é também uma faceta cultural que serve para suprir interesses econômicos e estatais do governo.

O discurso de Vargas merece uma análise específica, já que contém alguns elementos do ideário da época: o futebol como um esporte nacional, a valorização da atividade física como meio de disciplinar o corpo, a função de propaganda e de exaltação do regime com a construção do estádio. É possível destacar algumas frases dele, como: “Este monumento consagrado à cultura cívica da mocidade em pleno coração da capital paulista é motivo de justo orgulho para todos os brasileiros e autoriza a aplaudir merecidamente a administração que o construiu”. Também vale observar o olhar higienista das políticas da época: “Assistimos ao desfile de 10 mil atletas em cujas evoluções havia a precisão e a disciplina conjugadas no simbolismo das cores nacionais. Diante dessa demonstração de mocidade forte e vibrante, índice eugênico da raça – mocidade em que confio e que faz orgulho de ser brasileiro”.

Um texto publicado no Jornal do Brasil, diz a respeito da cerimônia de inauguração do Estádio do Pacaembu, na capital paulista, que contou com a presença de Vargas, então chefe de Estado. As imagens da concha acústica do Pacaembu e cartazes de comícios oficiais foram constantemente usados como instrumento em comícios realizados no governo Vargas. O futebol foi incentivado pelo presidente para criar essa sensação de pertencimento, ao mesmo tempo que os comícios tinham como objetivo levar os trabalhadores a se identificar com ele, como se nota no cartaz da comemoração do dia 1º de Maio.

historia-futebol-resistencia-politica-era-getulio-vargas-ne269O jogador Leônidas foi o primeiro a usar sua imagem para vender produtos. Conhecido por seus gols de bicicleta, o atleta foi celebrado pelo governo Vargas

O jogo foi usado como instrumento de propaganda, mas também serviu como forma de contestação nas camadas populares, de maneira consciente ou não – e isso merece ser problematizado. Ele deixou de ser predominantemente branco e passou a admitir mestiços, mais pobres. Ídolos negros, como Leônidas da Silva (1913-2004), foram alçados ao estrelato. De origem humilde, ele começou a carreira em um time de subúrbio. Ficou conhecido como Diamante Negro e foi o primeiro futebolista da história do Brasil a ser garoto-propaganda de inúmeras marcas, inclusive do chocolate de mesmo nome. Vale comentar também que o regime tentou cooptá-lo, celebrando o atleta – o mais popular de sua época – como a personificação do homem trabalhador e disciplinado que o Estado queria promover. Na verdade, ele estava longe de ser um bom exemplo para as autoridades. Embora não se opusesse de forma consciente ao governo, a resistência do jogador se manifestava por seu comportamento – que valorizava a diversão e o prazer. Para seus admiradores, ele representava a transgressão à ordem vigente, já que não aceitava os valores do Estado.

Por fim, concluí-se que o futebol não é apenas um entretenimento, ele foi muito usado por vários governos, principalmente na Era Vargas, para benefícios políticos e econômicos. O futebol ser um esporte nacional não beneficia apenas as pessoas que o jogam e que gostam de assisti-lo, beneficia sobretudo, o governo em seus âmbitos mais importantes: econômico e político.

Fonte:

https://novaescola.org.br/conteudo/2156/futebol-resistencia-e-politica-na-era-vargas. Acessado em 16/09/2017.

 

Guerra de Canudos – o filme: um pouco da história

O filme “Guerra de Canudos” retrata com fidelidade e de forma clara os acontecimentos referentes a um episódio real da história brasileira: A guerra de canudos. O filme ambienta-se no período republicano de nossa história, mais precisamente, nos anos de 1996 e 1997 e seus acontecimentos se passam no sertão baiano.

O clima seco do sertão, a miséria na qual a população local estava mergulhada e o descaso por parte da república com esta situação de miséria estão sempre em evidência no filme. Estas duas últimas características estão sempre sendo reforçadas por Antônio Conselheiro (beato que percorria o sertão pregando e o personagem mais importante da história real) e por seus seguidores, entre eles, uma família sertaneja pobre a qual o filme dá uma maior atenção.

É neste contexto explicado anteriormente por três fatores que a história se desenvolve. Antônio Conselheiro começa a pregar pelo sertão a palavra de Deus e também promete condições melhores de vida ao povo nordestino, o que leva muitas pessoas a segui-lo em busca deste ideal. Quando Conselheiro e seus seguidores chegam a canudos, estes finalmente se estabelecem e a condição miserável de muitos melhora absurdamente. A religiosidade e o respeito a Antônio Conselheiro se fazem sempre presentes.

Vendo que a região de Canudos oferecia melhores condições de vida, muitos outros sertanejos (dentre eles, jagunços) começam a migrar para viver e trabalhar em canudos. O problema ocorre quando fazendeiros locais e a Igreja Católica exigem que a república tome alguma providência em relação a Canudos. Ambos exigem isto por motivos distintos. Os fazendeiros estavam insatisfeitos com a perda de mão-de-obra, que migrou para Canudos e a Igreja estava insatisfeita, pois notara que estava perdendo muitos fiéis para Antônio Conselheiro (que apesar de ter fé na bíblia católica não era um padre nem qualquer tipo de representante da instituição)

A república decide por destruir Canudos, alegando que Antônio Conselheiro visava reestabelecer a monarquia, algo que era visto como abominável no contexto da república da espada.

Ocorrem quatro grandes expedições a Canudos, dentre as quais apenas a 2ª, a 3ª e a 4ª foram organizadas pelo governo. Apenas a última (mesmo que com certa dificuldade) consegue efetivamente destruir a cidade, aniquilando totalmente a população local. Uma curiosidade acerca destas expedições a Canudos foi que Canudos apenas resistiu bastante aos ataques da república porque havia grande número de jagunços que migraram para lá e estes conheciam o local. Também é interessante citar o fato de que Antônio Conselheiro pregava, desde a fundação de Canudos, que ocorreriam quatro grandes ataques a Canudos, sendo que os três primeiros, Deus os conteria e, o último (e o que efetivamente destruiu Canudos), ele não saberia dizer.

Um ponto interessante é que em alguns pontos, o filme chega a levantar questões curiosas que entram em choque com algumas bibliografias históricas. Um exemplo claro deste choque foi o de que algumas bibliografias afirmam que a quarta expedição, com canhões e armas potentes, destruiu Canudos sem grandes dificuldades enquanto que o filme mostra que houve grande dificuldade e demora para que a quarta expedição pudesse ,finalmente, tomar Canudos.

É com esta história que Euclides da Cunha, embasado na teoria do determinismo social, lança o livro “Os Sertões” que inicia o período de transição literária conhecido como pré-modernismo.

Itu desfrutava um lugar de destaque entre as cidades da então Província de São Paulo.

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Quando se tem um conflito básico que traz o fim do período monárquico não se dá entre um Brasil moderno e progressista,representado pelas classes médias urbanas, e um Brasil conservador,e regressista, representado pelas classes oligárquicas do Império; os grupos em confronto são dois setores da classe que garantira a sobrevivência do regime imperial: de um lado, as chamadas oligarquias tradicionais dos senhores de engenho do Nordeste e dos barões do café do Vale do Paraíba (monarquistas, escravistas, decadentes), detentoras de poder político; de outro, as novas oligarquias dos fazendeiros do café do Oeste paulista que, embora ocupando lugar central na economia do país, não dispunham de poder político. 

A Primeira República não foi industrial: segundo o Censo de 1920, 69.7% da população economicamente ativa dedicava-se à agricultura, 16.5% ao setor de serviços e 13.8% à indústria, quadro que não se alterou significativamente até 1930.

Foi em busca desse poder que, em 1873, organizaram o Partido Republicano Paulista, que tem-se  fundadores de  maioria cafeicultores de Itu e Campinas. Já em 1894, os militares foram afastados do comando e da inicio ao processo político cafeicultores paulistas e a elite econômica e política mineira, os quais instalaram um “situacionismo permanente”, só rompido com a revolução de 30, quando houve nova composição política no interior das elites. A ameaça de instabilidade política trazida pelos primeiros anos republicanos, em especial nos centros urbanos maiores, entre os quais se destacava a capital do país, levou os donos do dinheiro não só a tirar os militares do governo, mas a reduzir o nível de participação popular e neutralizar a capital sendo por sua vez o principal foco, por sua mão de obra livre e a ampliação do mercado consumidor que se diferencia dos demais estados que dependia do capital internacional e da mão de obra escrava.

Desde de 1842 a cidade de Itu era o reflexo da passagem da lavoura cafeeira por sua região, se tornando sede paulista de reunião republicana.

Documento de relato da sede paulista

“Coronelismo”,“coronelismo eletrônico”, clientelismo e “clientelismo eletrônico”: apontamentos para um debate

 

Resumo : Problematização conceitual acerca das definições de “coronelismo”, “coronelismo eletrônico” e clientelismo. Historia a criação e uso do termo a partir de Victor Nunes Leal e sua utilização trazida à reflexão das políticas de comunicação, especialmente na área de mídia eletrônica de televisão. Demonstra a trajetória conceitual dos três termos e como eles relacionam-se com a realidade sócio-econômico-brasileira, evidenciando a superação de “coronelismo” como categoria, a ascensão do clientelismo e problematiza o uso do termo “coronelismo eletrônico”, a partir dos elementos trabalhados acerca dos conceitos trazidos ao debate no campo da reflexão da comunicação.
A reflexão pioneira sobre as relações de domínio instaladas no Brasil a partir da configuração das forças políticas no município, seus vínculos com apropriedade da terra e o aparelho do Estado foi a principal contribuição de Victor Nunes Leal à compreensão da formação social brasileira.
O termo “Coronel”, incorporado à nossa língua portuguesa, trata-se de um vocábulo cujo sentido consolidou-se como expressão de liderança política.Temos, então, que a origem do vocábulo “coronelismo”, decorre de “brasileirismo” remoto aos autênticos ou falsos “coronéis” da extinta Guarda Nacional, criada em 18 de agosto de 1831 e que, “durante quase um século, em cada um dos nossos municípios existia um regimento da Guarda Nacional”(MAGALHAES apud LEAL, 1978, p. 21), cujo posto de comando, o de “coronel”, era dado ao chefe político local, “[…] os mais opulentos fazendeiros ou os comerciantes e industriais mais abastados” (MAGALHAES apud LEAL, 1978, p. 21) . A partir desse sentido, “o tratamento de coronel‟ começou desde logo a ser dado pelos sertanejos a todo e qualquer chefe político, a todo e qualquer potentado” (MAGALHAES apud LEAL, 1978, p. 19) .Os coronéis dominando a partir de suas fazendas, geralmente auxiliados pelos padres, farmacêuticos, comerciantes e, também, pelo genro-doutor – a fachada moderna do coronelismo como força política (FREIRE apud LEAL, 1978, p. 22) .Para Leal (1978), o “coronelismo” é mais que a sobrevivência do poder privado, hipertrofiado e fenômeno típico do Brasil Colônia. É a manifestação desse poder privado sob bases representativas extensas do regime político. Um regime representativo sobreposto a uma estrutura social e econômica inadequada.

Assim, a principal característica do “coronelismo” é ser, sobretudo, “um compromisso, uma troca de proveitos entre o poder público, progressivamente fortalecido, e a decadente influência social dos chefes locais, notadamente dos senhores de terras […]” (LEAL, 1978, p. 20). Dessa característica fundamental, anota Victor Nunes Leal (1978), resultam características secundárias como “mandonismo”, “filhotismo”, o falseamento do voto, a desorganização dos serviços locais .
Assim, continua Leal, “o coronelismo‟ assenta, pois, em duas fraquezas: fraqueza do dono de terras, que se ilude com o prestígio do poder, obtido à custa da submissão política; fraqueza desampara e desiludida dos seres quase sub-humanos que arrastam a existência no trato das suas propriedades.” (LEAL, 1978, p. 56). É a par dessa elaboração, que Barbosa Lima Sobrinho fornece uma atualíssima reflexão sobre as possíveis formas de continuidade do “coronelismo”.Escreve ele:
“Victor Nunes Leal tem razão, quando observa que o “Coronelismo‟ corresponde a uma quadra da evolução de nosso povo”. E uma quadra, que por isso mesmo, nunca se reproduz ou se repete, só se pode encontrar bem refletida na velocidade dos instantâneos. […]”O “Coronelismo”, em 1975, não será a mesma cousa que o de 1949. Dia a dia o fenômeno social se transforma, numa evolução natural, em que há que considerar a expansão do Urbanismo, que liberta massas rurais vindas do campo, além de modificações profundas nos meio de comunicação. A faixa do prestígio e da influência do “Coronel” vai minguando, pela presença de outras forças, em torno das quais se vão estruturando novas lideranças, em torno de profissões liberais, de indústrias ou de comércios venturosos. O que não quer dizer que tenha acabado o “Coronelismo”. Foi, de fato, recuando e cedendo terreno a essas novas lideranças. Mas a do “Coronel” continua, apoiada aos mesmos fatores que a criaram ou produziram. Que importa que o “Coronel” tenha passado a Doutor? Ou que a fazenda se tenha transformado em fábrica? […] A realidade subjacente não se altera, nas áreas a que ficou confinada. O fenômeno do “Coronelismo” persiste, até mesmo como reflexo de uma situação de distribuição de renda, em que a condição econômica dos proletários mal chega a distinguir-se de miséria. O desamparo em que vive o Cidadão, privado de todos os direitos e de todas as garantias, concorre para a continuação do “Coronel”, arvorado em protetor ou defensor natural de um homem sem direitos. (Barbosa Lima Sobrinho in LEAL, 1978, p. XV – grifos nossos).
Eis os elementos para um ponto de partida para a reflexão sobre o “coronelismo”: a dinamicidade do processo social, a decadência do fenômeno em seus aspectos originais, embora se mantenham os fatores que o condicionaram. Assim,“continua pois,o “Coronelismo‟, sobre novas bases, numa evolução natural,condicionada pelos diversos fatores que determinam o seu poder ou a sua autoridade”, conclui Barbosa Lima Sobrinho (in LEAL, 1978, p. XVI).
Não por outro motivo, tornou-se tão imediata a assimilação desse conceito à realidade do controle da mídia no Brasil – onde teríamos uma espécie de “coronelismo eletrônico”. Termo pelo qual se busca identificar a concentração da propriedade dos veículos de comunicação com a propriedade da terra no Brasil, cuja posse se concentra em poucos e que, na História do Brasil, significou também concentração de poder político nas mãos dos chamados “coronéis”. Para o campo, a necessidade de uma reforma agrária. Para a comunicação, uma “reforma agrária” do ar – a que passa pela democratização nos critérios de concessão de canais de rádio e TV. Conceito consolidado na reflexão teórica em exemplos como nesta elaboração de Santos e Capparelli (2005) acerca do controle sobre as emissoras de televisão:
Essa configuração política tem vital importância no cenário das comunicações dada a posição estratégica da televisão aberta como principal meio de informação do país e por ser um meio de recepção gratuita. Através dela os antigos coronéis políticos transformaram-se em coronéis eletrônicos, que, em lugar da propriedade rural, usam agora a propriedade de estações geradoras e retransmissoras como forma de extensão dos seus poderes (SANTOS, CAPPARELLI, 2005,p. 78).
Tal perspectiva decorre de muitos paralelos com a própria elaboração de Leal (1978) com a qual se pode relacionar a situação da mídia brasileira, a saber:
a) Os proprietários dos meios de comunicação, especialmente das emissoras de televisão são como os donos de terras, o “coronel” que retrata Leal: somente tidos como ricos frente à miséria do povo que controla;
b) Tal qual a propriedade da terra está nas mãos do tradicional “coronel”, elemento central da estrutura agrária concentrada, numa reflexão paralela, é tentador dizer o mesmo em relação às emissoras de radiodifusão no País. A influência dos donosda mídia na política local (e nacional) está diretamente relacionada à distribuição dasconcessões de rádio e televisão e da composição da classe detentora da mídia no Brasil;
c) Analogamente, é possível fazer um paralelo também com a situação da radiodifusão no País. A influência dos donos da mídia na política local (e nacional) está diretamente relacionada à distribuição das concessões de rádio e televisão e da composição da classe detentora da mídia no Brasil. Trata-se da concentração da mídia eletrônica;
d) e, sobretudo, também como “a falta de autonomia legal do município nunca chegou a ser sentida como problema crucial, porque sempre foi compensada com uma extensa autonomia extralegal, concedida pelo governo do Estado ao partido local de sua preferência” (LEAL, 1978, p. 255 – grifo nosso), a autonomia extralegal dos proprietários de televisão é claramente observável, seja nas trocas dos controles acionários das emissoras, muitas das vezes, à margem do Estado brasileiro, seja nos arrendamentos e vendas de espaços na grade de programação, o que carece de respaldo legal, afora o evidente uso político de tais emissoras.

Ocorre que, à luz de uma reflexão crítica rigorosa, as semelhanças param por aí. A partir das reflexões levantadas sobre o conceito, não devemos confundir realidade expressa pelo coronelismo (do século XIX) – e que se refere a outro sistema político nacional que existiu no País, que é datado historicamente – com a situação atual. Em consequência, o termo elaborado a partir de “coronelismo”, o “coronelismo eletrônico”, também não dá conta do que é a realidade contemporânea que busca retratar no âmbito das concessões dos canais de rádio e televisão: o processo de concentração da posse da mídia eletrônica, a partir dos anos 1990, em poder de poucos proprietários, geralmente políticos – os donos da mídia.
Estamos em bases mais acertadas se tratarmos de clientelismo aplicado à mídia eletrônica ou clientelismo eletrônico, uma melhor caracterização à realidade propriedade e uso dos meios eletrônicos em debate, dado que o clientelismo, de modo geral, indica um tipo de relação bilateral que envolve a troca de favor, benefícios, isenções, apoio político e votos. Perpassa toda a história política do país. O clientelismo eletrônico tem afinidade com o mandonismo, que expressa o exercício do poder por estruturas oligárquicas e personalizadas. O mandão – um potentado, chefe, ou “coronel” – é o indivíduo que, de posse do controle de recurso estratégico, a exemplo da propriedade da terra ou dos meios de comunicação, adquire certa pertença sobre a população do território sob seu domínio que a impede de exercer livremente a política e o comércio. Clientelismo, todavia, nada tem em comum com “coronelismo”.
O clientelismo pode mudar de parceiros, aumentar ou diminuir ao longo da história. “Nesse sentido, é possível mesmo dizer que o clientelismo se ampliou com o fim do coronelismo e que ele aumenta com o decréscimo do mandonismo”(CARVALHO, 1997, p. 233).
A realidade mostrou uma enorme capacidade adaptativa dos donos das terras. Não só se mantiveram como passaram a ocupar posições estratégicas no centro das decisões políticas do Estado brasileiro. Abriu-se mão da velha figura do “coronel”. Preservou-se sua antiga influência no aparelho estatal.
A emergência da televisão e da mídia não neutralizou tal processo. Ao contrário, expressou-se tão parecido a ele que até a maneira de ser estudada despertou observações mais influenciadas pelas categorias trazidas ao estudo original do município e sua relação com o domínio político via “coronelismo”.
Mas o “coronelismo eletrônico” trata-se de um equívoco teórico. O clientelismo, e sua versão midiática quanto à posse dos veículos de comunicação, especialmente da televisão, emerge como categoria que melhor demonstra a formação social brasileira, notadamente no campo da mídia, como buscamos demonstrar aqui. Que a emergência das novas mídias contribua para reversão desse quadro. O que, infelizmente não ocorreu com a chegada do rádio e da televisão nos rincões brasileiros, como acreditavam Victor Nunes Leal e Barbosa Lima Sobrinho.

Fonte : http://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2017/resumos/R57-2072-1.pdf

A transição do nazismo de Hitler que persiste na sociedade atual

O nazismo foi uma ideologia que erradicou pela Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. Acreditavam que o povo precisava de um líder forte para comandar o país. Estabeleciam uma hierarquia entre as raças e acreditavam que os alemães eram superiores a qualquer outra raça. Os africanos, ciganos, judeus e homossexuais eram os mais discriminados, sendo chamados pelos nazistas como “raças inferiores”. Enquanto estavam no poder exterminaram os membros desses grupos.

Subjugados e humilhados no pós guerra, o povo alemão sofreu com as dificuldades políticas, econômicas e sociais e culpavam o governo por tal situação.

Com isso, surgiu o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, mais conhecido como Partido Nazista.

Em 1919, aproveitando-se da situação instável do país os nazistas tomaram o poder e governaram entre 1933 e 1945.

Fazendo com que a população acreditasse que a Alemanha decairia dia após dia, Hitler usou de seu  partido para impor o medo e do nacionalismo como uma forma para se acenderem e permanecerem no poder.

TRECHO DO PRIMEIRO DISCURSO DE HITLER

“Com o declínio da diplomacia estrangeira  a decadência do poder político iniciou -se o colapso interno , a dissolução de nossa instituições nacionais ,a decadência e corrupção em nossa administração e assim ,começou o declínio de nossa nação . Tudo isso foi trazido, tudo foi causado por homens em novembro de 1918.”

Os alemães sabiam e aplaudiam as atrocidades cometidas pelo nazismo. De acordo com Robert Gellately, Hitler não só divulgou abertamente as ações do governo, que assumira em agosto de 1934, como também conquistou amplo apoio popular para colocá-las em prática.

TRECHO DE UM DISCURSO DE HITLER :

“Se o judaísmo imagina que por acaso ele -pode trazer o mundo internacional a uma guerra mundial para o extermínio das raças Europeias ,o resultado não será o extermínio da raça Europeia,mas o extermínio dos Judeus na Europa .”

Há uma confusão muito grande em relação ao uso dos termos nazismo e fascismo que frequentemente são usados como semelhantes. O professor de história do IFMG Campus Ouro Preto ,Guilherme Maciel, explica a relação entre esses dois termos.

TRECHO DA ENTREVISTA COM PROFESSOR GUILHERME (FASCISMO X NAZISMO)

“Essas ideologias que normalmente são tratadas como um período isolado que ficou perdidos na história, está muito mais próximo de nossa realidade do que imaginamos. Temos como exemplo o Trump, atual presidente dos Estados Unidos que tem políticas e discursos que podem ser tranquilamente comparados com o discurso nazista,tendo como o maior exemplo, a política do “America first”.”

TRECHO DE UM DISCURSO DE TRUMP : ÓDIO AO MÉXICO

“Quando o méxico envias as pessoas, eles não estão mandando os melhores .Não estão mandando você ,ou você. Estão mandando pessoas com muito problemas,eles estão trazendo problemas para nós. Estão trazendo drogas, crimes ,eles são estupradores. E alguns, eu acho, são pessoas boas.”

Fonte : https://www.youtube.com/watch?v=5UZkXIXlELc

 

Atropelados pelo Progresso

A estrada da Modernidade está repleta de cadáveres atropelados pelo Progresso. A modernização exige o confinamento e extermínio daqueles que estão no lugar errado e na hora errada – judeus, drogados, alcoólatras, pobres, homo afetivos, desempregados etc. Estes serão sempre os inimigos ou o bode expiatório da vez para que ocorra guerra e destruição.

Limpeza, higienização social, urbanização e arquiteturas monumentais, são etapas desse embelezamento do mundo baseado na destruição, desintegração e aniquilamento de tudo aquilo que é “velho”, “passado” e, por isso mesmo, suspeitos de doenças e vícios.

A barbaridade de Estado da atual operação na Cracolândia e o programa Cidade Linda é mais uma evidência da força do legado místico da arquitetura da destruição e o “princípio das ruínas” de Hitler e Speer que continuam inspirando gerações – um velho princípio agora mascarado por modernos eufemismos do jargão administrativo como “gestão”, “programa de metas”, “parcerias”, “índice de eficiência” etc. A tragédia se repetindo como farsa.

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Essa barbaridade de Estado é ainda mais perniciosa do que a ação direta dos famigerados neonazistas: esses pelo menos são mais identificáveis com o seu discurso estereotipado e sua violência ritualizada que tenta emular as ações da SS e SA da velha Alemanha nazista.

Não é à toa que no filme “Ele Está de Volta” (mockumentary em humor negro que mostra o que aconteceria se Hitler reaparecesse no século XXI graças a uma anomalia temporal), Hitler vê os neonazistas na Alemanha e os chama de “fracotes” devido a forma que usam para expor sua ideologia.

Podemos então, fazer uma comparação à esse momento atual vivido no país, com o documentário “Arquitetura da Destruição (1989)” no sentido de que, tudo que foi mostrado nesse documentário está se repetindo na atualidade de forma mascarada, através destes projetos de “modernização”, “Cidade Linda”, etc. Estas e outras operações de guerra contra às drogas, muitas vezes escondem uma real arquitetura da destruição contra aqueles que a classe alta acha inferior e que sujam a sociedade.

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Undergångens arkitektur– Arquitetura da Destruição (BR);
Dirigido por: Peter Cohen (1989)

Certamente são os gestores, CEOs (Diretores Executivos) de empresas e toda a gama de tecnocratas, sanitaristas e urbanistas os que melhor compreenderam o essencial dos princípios que marcaram o século XX, criado por um arco formado desde os futuristas na Arte, passando pelos nazifascistas na Política até chegarmos aos neoliberais na Economia.

Grupos neonazistas são apenas “fracotes”. Os mais perigosos mesmo são os chamados “gestores” nos governos e corporações: sob o eufemístico jargão da moderna gestão, escondem o fascínio pela arquitetura da destruição e o princípio das ruínas.

 DICA: Se você ainda não teve a oportunidade de assistir ao filme “Er Ist Wieder Da – Ele Está de Volta (2015)” assista, pois é um filme muito bom que conta de forma cômica, como seria se o Adolf Hitler estivesse no mundo atual.

 

Fonte: http://cinegnose.blogspot.com.br/2017/05/a-cracolandia-e-o-documentario.html.

Agricultores desaparecidos no período entre guerras são encontrados congelados após 75 anos.

Naquela época, era muito comum a agricultura entre os povos em terrenos remotos devido à devastação econômica ocorrida anteriormente. Trazida pela guerra, essa instabilidade “obrigava” os camponeses a trabalharem em suas próprias terras para evitar grandes deslocamentos (para as grandes cidades) e garantir o auto sustento. Um casal que saía para retirar o leite de suas vacas como de costume naquela região durante o período entre guerras, não teve tanta sorte naquele dia, pois caiu dentro de uma vala entre as geleiras e acabou não sobrevivendo.

 

Segue o link da matéria completa no site SWI – swissinfo.ch: https://www.swissinfo.ch/por/economia/descoberta-glacial_corpos-mumificados-encontrados-em-geleira-su%C3%AD%C3%A7a/43342488